Um dos grandes questionamentos em minha vida tem sido como interagimos com as pessoas em nossa volta e como colocar em prática a compaixão. Com tantas coisas mudando em minha vida, vejo como essas relações vão mudando também e como elas me transformam, seja positiva ou negativamente.
O que ganhamos ao falar mal (mau? Sempre fico em dúvida) de alguém? É difícil simplesmente escrever sobre o assunto. Qual o gasto de energia que temos ao tentar entender como tal pessoa foi capaz de atos que repreendemos ou que aprovamos?
O que mais sinto é que queremos muitas vezes que as pessoas mais próximas sejam como nós, que pensem como nós e que ajam da maneira que mais achamos correta. Ok, mas essa maneira que julgamos ser correta, obviamente pode não ser para o outro. Nós ficamos sentados esperando por decisões, falas, gestos que nos agradem e que nos acolham dizendo: “Oi, eu gosto de você!”. Não sei se todos que lêem isso sentem o mesmo que eu, mas me sinto péssimo em ver que isso muitas vezes é verdade.
Qual o sentido de chamar atenção de alguém? Muitas vezes me vi fazendo coisas que não tinha a mínima vontade, coisas que não me agradavam por simplesmente achar que as fazendo receberia algum gesto de agradecimento mais carinhoso pelo meu “sacrifício” de estar lá, naquele momento, fazendo o que meu coração dizia ser errado.
É claro que não recebi o que esperava. Decepcionei-me, e depois de tudo veio uma grande reflexão: por que eu me decepcionei? No fundo também esperava que as outras pessoas pensassem como eu, e que valorizassem os mesmos gestos e atitudes que eu valorizo. Será que não fui burro o bastante em acreditar que isso seria possível?
Não é possível mesmo, por que simplesmente não há outro Rafael, assim como não há qualquer outro de vocês que estejam lendo isso. Jamais alguém irá pensar como você, e então, caso você esteja cometendo os mesmos erros que eu, pare de pensar que as pessoas farão o que você deseja, pare de pensar que o mundo deveria ser como você o vê e não como ele realmente é.
Nós, seres humanos, usamos de todos os artifícios para chamar atenção dos que nos cercam. Bom, nem preciso dizer que se fazer de vítima é um deles. Nem preciso dizer também que já fiz isso, e provavelmente você também. Eu disse PROVAVELMENTE. Caso você jamais tenha agido assim, dou-lhe um sonoro parabéns.
A outra principal maneira eu creio que seja o ciúme. Como um amigo meu disse há alguns dias para mim, e acredito fielmente nessa definição, o ciúme seria a dor que sentimos ao ver que alguém não precisa de nós para ser feliz. Mais uma vez, somos atingidos por um sentimento de posse em relação ao outro. Como alguém pode viver sem nossa presença? Como ela ou ele pode sorrir se eu não estou por perto? Bom, em minha opinião, não só pode como deveria. Nós precisamos parar de acreditar que nossa vida é uma bolha. Imagine que seus amigos vão entrando e que jamais poderiam sair. Que legal, hein campeão?
As pessoas que nos cercam podem e devem conseguir viver sem nossa presença. Uma criança não chorar ao cair, não significa que é imune a dor. Não chorar por que um relacionamento terminou, não significa que não o amava ou a amava. O que quero dizer é que não é por que alguém não sente ciúmes, que não valoriza nossa amizade. É difícil me explicar, mas acho que devemos ter a consciência de que a vida é muito mais que depositar nossos sonhos, preconceitos e esperanças em uma pessoa só. A vida é muito mais do que depositar isso em qualquer pessoa. A vida não é um depósito, mas sim se trata de doações. “Poxa Rafael, mas que visão romântica!” – Prefiro pensar assim, a se ausentar da vida.
As doações durante a vida são algo bem delicado também, pois não se trata de nós e sim dos outros. Se eu fosse tão engraçado assim, não teria que rir das próprias piadas. Sempre que vou ajudar alguém ou fazer alguma piada, fico pensando se não os faço para que me elogiem depois por ser alguém sempre presente ou engraçado, ou se faço por que penso nelas somente. É possível uma ação 100% altruísta? Acho que é possível para quem é muito evoluído espiritualmente e consegue enfrentar tudo o que foi dito aqui com o coração aberto, sendo um mero observador dessas emoções destrutivas, mas sendo totalmente ativo como ser humano visando o próximo.
Pare de pensar que o mundo deveria ser como você acha que é! Pare de pensar que as pessoas são como você, e veja elas como elas são! Parece óbvio, mas não é tão fácil.
